TRE-PE participa de curso para combater notícia falsa

Agência Lupa realizou treinamento para diversas unidades do Tribunal. Objetivo é preparar pessoal para a batalha contra a desinformação

TRE-PE participa de curso para combater notícia falsa

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) promoveu, nesta quinta-feira (14/06), um workshop sobre fact-checking (checagem de fatos), ferramenta que vem ganhando espaço nos países democráticos como uma espécie de antídoto contra a propagação de notícias falsas, comumente chamadas de fake news.

Por causa do risco de ameaçar o equilíbrio do jogo eleitoral, sobretudo quando começar o período de campanha, as notícias falsas espalhadas via redes sociais são, atualmente, uma das principais preocupações da Justiça Eleitoral em todo País.

O curso, que durou quatro horas, foi ministrado pela Agência Lupa, a maior do País no segmento de checagem de fatos. Desembargadores, Diretoria-Geral, representantes da Presidência, da Corregedoria, da Central de Denúncias, da Comissão dos Desembargadores Auxiliares, da Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (Stic), da Escola Judiciária Eleitoral (EJE), da Assessoria de Comunicação (Ascom) e do Ministério Público Eleitoral estiveram presentes na sala de treinamento do subsolo do edifício-sede. O local do curso, por sinal, foi cuidadosamente equipado pelo pessoal de treinamento da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP).

Durante o curso, a diretora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, de maneira descontraída e didática explicou o que é checagem de fatos. Os participantes tiveram acesso a conceitos como debunking, verification e o próprio fact-cheking.

Na prática, o trabalho da Lupa, que é membro da International Fact-checking Network (IFCN), consiste em verificar, através de dados oficiais, a veracidade da declaração de um político, por exemplo.

Após fazer a checagem, a Lupa classifica aquela informação como "verdadeira", "verdadeira, mas...", "ainda é cedo para dizer", "exagerado", "contraditório", "insustentável", "falso" ou "de olho".

Cristina Tardáguila também explicou como agem as pessoas que criam e propagam notícias falsas e maliciosas, os chamados de trolls. Em política, muitas vezes, o troll faz uso de robôs (bots), programas de computador que replicam inúmeras vezes mensagens para promover uma determinada pessoa ou ideia e, da mesma forma, atacar e arranhar a credibilidade de outras pessoas e ideias.

Como a questão das notícias falsas já vem sendo tratada como uma guerra, os locais onde operam trolls e bots são chamados de bunkers. O curso também mostrou de que forma esta atividade criminosa é financiada e como pode ter influenciado campanhas eleitorais em outros países.

Ainda durante o treinamento, a Lupa abordou iniciativas de combate às notícias falsas e o que empresas como Facebook e Google estão fazendo neste sentido. Recentemente, Facebook e Lupa fizeram uma parceria para tentar identificar informações que não são verdadeiras, principamente as de caráter político-eleitoral. O presidente da maior rede social do mundo, Mark Zuckerberg, já deu declarações que as eleições brasileiras, em outubro, serão de fundamental importância para o Facebook, segundo ele, mostrar ao mundo que está combatendo as chamadas fake news.

A reta final do curso foi dedicada a exercícios. Os participantes tiveram acesso a ferramentas online para identificação de notícias falsas (CrowdTangle e Buzzsumo, por exemplo) e programas, também online, para checagem de conteúdo (TinEye, Google Images, FB, TW).

Em Pernambuco, o TRE está agindo em duas frentes contra as notícias falsas. Desde março, o Tribunal veicula em suas plataformas de mídia uma campanha orientando e conscientizando as pessoas sobre o risco de se compartilhar informações falsas. O TRE também criou a Central de Denúncias (CD), que vai operar junto com Polícia Federal, Secretaria de Defesa Social (SDS) e Ministério Público Eleitoral. A CD ficará responsável em receber denúncias sobre fake news, investigar e, eventualmente, punir exemplarmente quem estiver se utilizando deste artifício para prejudicar candidatos ou instituições.

Desembargador-coordenador da CD, Stênio Neiva participou do treinamento e, ao final do evento, agradeceu a Cristina Tardáguila. Ele afirmou que o curso ofereceu instrumentos que certamente serão úteis na luta contra as notícias falsas. "Tudo isso é muito novo para nós. Estamos aqui para perguntar, para aprender e, no final das contas, aplicar este conhecimento com o objetivo de realizar uma eleição equilibrada e justa", disse o desembargador.

A servidora Télia Gaspar, da 12ª Zona Eleitoral, é a presidente da CD. Segundo ela, o treinamento ofereceu uma visão ampliada de um problema global. "Ainda assim, foi possível trazer o debate para nossa realidade. Teremos uma trabalho árduo pela frente, mas estamos nos preparando cada vez mais", afirmou.

 

 

 

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