TSE promove inclusão eleitoral indígena com coleta sugestões dos povos originários

Juíza Auxiliar representa TRE-PE durante audiência pública no Pará

TSE promove inclusão eleitoral indígena com coleta sugestões dos povos originários

Com informações do TSE

Incentivo ao alistamento eleitoral indígena, criação de zonas eleitorais nas aldeias e tradução de materiais para as línguas faladas pelos povos originários foram algumas das contribuições apresentadas nesta quarta-feira (11), na audiência pública realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Belém (PA), com o intuito de ampliar a inclusão desse público no processo eleitoral. O evento encerrou o ciclo de audiências públicas destinadas a coletar sugestões para as resoluções que regerão as Eleições Gerais de 2026.  

Iniciativa inédita do vice-presidente do TSE e relator das resoluções, ministro Nunes Marques, o evento no Pará coletou, de forma direta e qualificada, sugestões dos povos indígenas e de outros grupos minorizados, com a finalidade de fortalecer a escuta institucional e aumentar a participação social. Uma das magistradas a acompanhar o evento presencialmente foi a juíza auxiliar da presidência do Tribunal Regional de Pernambuco (TRE-PE), Michelle Chagas. 

Segundo o ministro Nunes Marques, esta foi a primeira vez que o TSE realizou uma audiência pública na Região Amazônica e na cidade de Belém com a finalidade de construir políticas públicas voltadas à promoção da cidadania. “A Amazônia é um território marcado pela diversidade cultural, pela ancestralidade e pela presença viva dos povos originários do nosso país. O esforço da Justiça Eleitoral em assegurar o exercício do voto pelos povos originários, ribeirinhos e por todos os amazônicos é reconhecido internacionalmente e demonstra a excelência desta Justiça especializada”, disse o ministro, ao abrir a audiência.  

De acordo com Nunes Marques, a Justiça Eleitoral inicia uma nova fase, voltada a assegurar a participação efetiva dos povos indígenas no processo eleitoral, com fundamento nas ações afirmativas de ampliação da participação feminina e das pessoas negras nas eleições. “A criação de cotas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha destinadas exclusivamente para candidaturas indígenas – que historicamente têm presença reduzida nas convenções partidárias – será primordial para incentivar a participação dessa parcela da população brasileira nas Eleições 2026”, afirmou o relator das resoluções.   

Ao encerrar sua fala, o ministro destacou que a audiência pública em Belém reafirma o compromisso do TSE com uma atuação democrática, transparente e participativa, sendo sempre observados os limites legais e constitucionais que regem o processo eleitoral. “Nosso papel é infralegal, mas nossa responsabilidade institucional é ampla: assegurar que as regras do jogo democrático sejam legítimas, seguras e inclusivas. As contribuições aqui apresentadas serão cuidadosamente analisadas e servirão de subsídio para a construção de um texto final das resoluções que serão submetidas ao Plenário [do TSE]”.  

TSE promove inclusão eleitoral indígena com coleta sugestões dos povos originários

Inclusão social  

O desembargador José Maria Teixeira do Rosário, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), que sediou a audiência pública, destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a escuta, a inclusão e a participação social. “Ao abrir este espaço para povos indígenas e grupos minorizados, o TSE busca garantir que as normas eleitorais sejam não apenas tecnicamente adequadas, mas também socialmente sensíveis e inclusivas. Ressalto a diversidade étnica e cultural do estado do Pará e reafirmo a importância do diálogo e da construção coletiva para o fortalecimento da democracia”, disse.  

O presidente da seccional do Pará da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sávio Barreto, ressaltou o compromisso da advocacia, regional e nacional, de defender a sociedade, em especial as pessoas e os grupos em situação de vulnerabilidade, participando ativamente de debates como as audiências públicas que discutiram as regras que regerão as Eleições 2026.  

O procurador regional eleitoral no Pará, Bruno Valente, salientou que as resoluções propostas trazem mudanças importantes para as eleições, e as audiências públicas, por sua vez, buscam aprimorar e promover uma maior participação dos indígenas no processo eleitoral. “Os povos originários são historicamente vítimas de violação e privação de direitos em diversas áreas. Há muito a se avançar na promoção de diversos direitos desse povo, e a participação eleitoral é essencial, mas essas minutas de resolução implementam melhorias importantes no processo eleitoral”, afirmou. 

Contribuições 

A audiência pública teve como foco as seguintes minutas de resolução:   

  • atos gerais do processo eleitoral;   
  • registro de candidatura; 
  • prestação de contas;   
  • Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC);   
  • propaganda eleitoral;   
  • ilícitos eleitorais;   
  • transporte especial para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida aos locais de votação; e 
  • consolidação das normas relacionadas ao cidadão nas eleições.  

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Participaram da audiência servidores de TREs da região Norte – como os do Acre, do Amazonas, de Roraima e do Tocantins –, representantes de entidades, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), advogados e lideranças indígenas. Foram apresentadas sugestões para aumentar a participação dos povos originários na democracia, como o incentivo ao alistamento eleitoral, a criação de zonas eleitorais perto das aldeias indígenas e a tradução de materiais nas línguas indígenas. A audiência pública foi transmitida ao vivo pelo canal da Justiça Eleitoral no YouTube e teve tradução em três línguas indígenas: Munduruku, Wai-Wai e Nheengatu.  

O procurador regional eleitoral no Pará, Bruno Valente, citou dados do Ministério Público que apontam que 30% da população indígena em idade eleitoral na região do Médio Xingu sequer tem título de eleitor. Ele também citou a ausência de zonas eleitorais nas terras indígenas – apenas duas no Médio Xingu. Valente sugeriu mudanças na resolução que prevê o transporte de eleitores indígenas para votar.  

Atualmente, há uma restrição para que o transporte não seja feito fora do município, divisão que muitas vezes não reflete a realidade dos povos originários. 

Também foi apresentada proposta para que haja a criação de partidos políticos que advenham dos próprios indígenas, como forma de evitar a desinformação eleitoral. Além disso, foi sugerida a exclusão da necessidade de serem criadas comissões de pertencimento étnico para o registro de candidaturas indígenas. 

O que vem em seguida   

Com a conclusão das audiências públicas, as contribuições coletadas serão registradas e analisadas tecnicamente, e as minutas de resoluções poderão ser ajustadas com base nas sugestões.   

Os textos finais serão debatidos e votados no Plenário do TSE em sessão administrativa. As resoluções devem ser aprovadas até o dia 5 de março.    

As regras aprovadas passarão a valer para todo o processo eleitoral.    

Confira a página das audiências para mais informações.      

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